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Uma nova vida: Estrela da Amadora renasceu há sete anos

Uma nova vida: Estrela da Amadora renasceu há sete anos

Mensagempor Maria de Fátima em 28 jun 2018, 11:29

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Em Setembro de 2011, um grupo de 13 sócios, em que alguns deles nem se conheciam, decidiu dar uma nova vida ao Estrela da Amadora. Um amor ao clube que fez nascer o CDE – Clube Desportivo Estrela – que promete "refundar" os valores daquele que, um dia, chegou a ser um emblema de referência nacional.


A 29 de setembro de 2009, o Clube de Futebol Estrela da Amadora foi declarado insolvente pelo Tribunal. E a 2 de maio de 2010, para amargo de muitos adeptos, sócios e amantes do clube, realizou o seu último jogo de futebol de seniores, já na Segunda Divisão, zona sul.

Os dias de glória de um dos maiores clubes de Lisboa e de Portugal tinham chegado ao fim. No entanto, um grupo de associados, e também amantes do Estrela, decidiu ‘arregaçar’ as mangas e transformar este triste fim num... renascimento.

No mês de setembro do ano 2011, já bem longe dos holofotes, foi formado o CDE - Clube Desportivo Estrela. Um novo símbolo, novas ideias, mas um objetivo delineado: refundar aquele que, outrora, deu pelo nome de Estrela da Amadora.

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Como se deu a extinção de um dos históricos do futebol português

António França, um dos 13 sócios que não quis deixar ‘morrer’ o Estrela, tornou-se no 1.º presidente do clube e explicou, em detalhe ao Desporto ao Minuto, como aconteceu todo o processo de criação do novo Estrela, começando pelo processo de insolvência, que levou à extinção do histórico da Amadora.

“O processo [de insolvência] está rodeado de uma série de coisas estranhas. Ele só podia ser determinado com autorização dos sócios e, para isso, teria de haver uma Assembleia Geral especificamente marcada para o efeito… que nunca aconteceu. Daí, também estranhámos como é que os tribunais aceitaram os pedidos sem verem se quem pede está legitimado para o fazer”, começou por dizer.

“Estou em crer que nem a direção estava já legitimada para o efeito, porque havia muita gente que se tinha demitido e muita gente com o pedido de demissão em curso. Mas, volto a repetir, nada tinha a ver com a direção, porque deveria existir uma AG exclusivamente para os sócios, que teriam de legitimar o processo de insolvência”, acrescentou António França, que deixou ainda algumas farpas à gestão do Estrela da Amadora nos últimos anos.

“O clube de futebol do Estrela da Amadora acabou de uma forma estranhíssima. Mas tudo foi muito estranho nos últimos 25/30 anos neste clube”, realçou.

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A nova Estrela que nasceu na Amadora

António França, que foi presidente do Estrela de 2011 a 2018, explicou-nos que, depois de acompanhar todo o processo de insolvência em tribunal, e ver que existiam dívidas reconhecidas de 20 millhões de euros, decidiu-se “começar do zero”.

“As entidades não estavam dispostas a correr o risco de aprovarem um plano de recuperação económica para o clube, com a desconfiança que o mesmo não iria ser cumprido. Quando nós nos apercebemos então desta situação, tentámos que o clube não se perdesse”, explicou.

“Tínhamos gente com mais de 30 anos de sócio e isto não podia ser apenas uma decisão judicial. Juntou-se então um grupo de 13 sócios, todos com as quotas em dia até ao dia da insolvência – alguns de nós nem nos conhecíamos – e decidimos fundar um novo clube. Foi então que, a 28 de setembro de 2011, assinámos a escritura de fundação e nasceu o Clube Desportivo Estrela. Principal objetivo? Refundar o Estrela da Amadora e voltar a fazer dele uma potência desportiva nacional”, sustentou António França, esclarecendo que este não era “um corte com o passado”.

Desaproveitar as camadas jovens foi, para António França, uma das razões que levou o antigo Estrela da Amadora a passar por dificuldades financeiras. Por isso, esta foi uma das primeiras apostas do novo Estrela, que hoje já conta com três modalidades: além do futebol, possui também ténis de mesa e atletismo.

“Nós quisemos fazer a ponte com base nas camadas jovens, que sempre foram um dos grandes trunfos do Estrela da Amadora. A partir de determinada altura deixámos de ser um clube formador e esse também foi um dos grandes problemas. Começámos a ter aqui muita gente que pouco ou nada dizia ao clube, ou este a eles. Fomos claramente um entreposto de jogadores, não tenho dúvidas nenhumas”, afirmou.

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No entanto, reerguer um clube não é fácil e acarreta várias (e grandes) dificuldades. A direção do Clube Desportivo Estrela deparou-se com inúmeras logo nos primeiros tempos: o Estádio José Gomes estava muito degradado, as instalações do clube não podiam ser utilizadas na totalidade e a não existência de um relvado sintético, que ajudaria, e muito, na formação do futebol e até, quem sabe, na criação de uma equipa sénior.

António França, em 2016, reconheceu que a Câmara Municipal da Amadora tem um “papel ingrato” neste aspeto, porque existem “dificuldades na área jurídica” para que possa ajudar o clube em relação ao relvado sintético. Porém, o antigo presidente do novo Estrela afirma que “quem não o pode fazer, não se compromete”.

“Fomos informados que não podem ajudar porque há um constrangimento de aplicação de dinheiros públicos em espaços que estejam insolventes. Compreendo que os responsáveis da Câmara não possam fazer qualquer tipo de ‘avarias’ em relação a este assunto. Mas quem não pode fazer, não se compromete”, salientou António França.

Esta continua a ser, aliás, uma das grandes batalhas do Estrela hoje em dia, que continua ano após ano a tentar obter um relvado sintético para o futebol.

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"Não queremos ser um clube de bairro": O Estrela voltou e qu

Mensagempor Maria de Fátima em 28 jun 2018, 11:31

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"Não queremos ser um clube de bairro": O Estrela voltou e quer a I Liga


Depois de explicado todo o processo de criação do Clube Desportivo Estrela, há que entrar mais a fundo no novo emblema da Amadora e saber quais são os seus objetivos. Rui Silva não hesita e aponta: “Voltar a colocar o Estrela onde ele deve estar, que é na Primeira Liga”.

Rui Silva foi um dos sócios que ajudou na criação do clube e, em 2018, com a saída de António França da presidência, deixou o cargo de Presidente-Adjunto, assumindo a liderança.

Com mais dois anos de mandato pela frente, o presidente do Estrela não entra em loucuras, mas diz que é possível, dentro deste prazo, dar um passo importante no crescimento do clube: criar a equipa sénior no futebol. Com três modalidades neste momento – futebol, ténis de mesa e atletismo -, Rui Silva explicou ao Desporto ao Minuto quais são as metas do Estrela..

Objetivos a curto-prazo

“Estamos a preparar a próxima época nas três diferentes modalidades. Garantir a manutenção de todos os escalões nas modalidades existentes. No caso do futebol temos escalões até ao juniores. Não podemos colocar mais equipas por causa das limitações que possuímos, nomeadamente ao nível do relvado”, começou por dizer Rui Silva, em declarações exclusivas ao nosso site.

Ter equipa sénior no futebol: "Não é garantido que possa existir, mas vamos tentar. No entanto, o nosso foco no futebol é a formação. Não vamos destruir o nosso projeto só para ter os seniores. Não nos podemos atirar à ‘maluca’. Temos de garantir condições financeiras para ter a equipa sénior. Mas, por outro lado, ter equipa sénior iria potenciar a formação. É isso que faz sentido. Eu gosto muito do projeto do Athletic Bilbau, se bem que é um nível diferente, mais regional. Mas queríamos que os nossos seniores fossem trabalho da formação. Isto é um objetivo para este mandado, não podemos é prometê-lo”.

Maior aposta no ténis de mesa: “Este ano começámos a ter a modalidade e surgiu a oportunidade de o treinador Virgílio Nascimento voltar – o técnico que orientou a antiga equipa do Estrela da Amadora e que chegou a treinar um dos melhores mesatenistas portugueses, Tiago Apolónia. Criámos equipa de seniores e juniores. Nos seniores, subimos à II Divisão Nacional e, esta época, vamos ter mais uma equipa de seniores e cadetes. O nosso objetivo agora é sermos promovidos novamente. Desta vez, para a Divisão de Honra”, concluiu.

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Quando questionado sobre quais os objetivos a longo prazo, Rui Silva é perentório. “O caminho é cheio de pedras e todos os dias lidamos com problemas”, revelou o presidente do Estrela, ao mesmo tempo em que abriu o coração e apelou ao aparecimento de um parceiro investidor.

“Estamos numa casa que não é nossa, é emprestada. Temos limitações de espaço dentro das instalações. Nós precisávamos de um parceiro que quisesse investir. Só aí é que podíamos alavancar o clube para onde todos queremos. Voltar a colocar o Estrela onde ele deve estar, que é na Primeira Liga. A nossa ambição é grandiosa. Queremos ser uma referência na Amadora, em Lisboa e a nível nacional”, apontou.

“Como chegar lá? Não queremos ser um clube de bairro, sem menosprezar outros clubes. Temos dedicação, mas sozinhos é muito difícil, para não dizer impossível. Temos os nossos patrocínios, como o Dr. Bayard, mas que servem para nos manter sustentáveis. Ele no fundo não ganha nada em patrocinar-nos, por isso só temos a agradecer. Mas sem um investidor grande, que compre o estádio, que renove todo este espaço, é muito difícil. Nós estamos aqui a criar condições para que um dia venha alguém que veja o nosso trabalho e que veja que vale a pena investir no clube”, apelou Rui Silva.

Precisamos de um parceiro que queira investir. Queremos voltar a colocar o Estrela na Primeira Liga

Além das dificuldades económicas, que levam naturalmente ao aparecimento de vários problemas, o líder do Clube Desportivo Estrela identificou a colocação do sintético e o facto do Estádio José Gomes não ser propriedade do clube, como as principais dificuldades do emblema da Amadora neste momento.

“O problema é o contrato de utilização do estádio, que é renovado anualmente. Para colocar um relvado sintético, porque é caro, temos de dar uma garantia em que ficamos cá mais tempo e nós não conseguimos dar essa garantia”, realçou.

“Da parte da Câmara, a justificação é que não temos propriedade do local, não temos um contrato de arrendamento… É uma luta nossa todos os anos. Acho que a Câmara da Amadora devia investir mais no desporto, mas faz os mínimos. Se quer ter atletas de referência da cidade, é preciso investir”, apontou Rui Silva.

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A promessa aos adeptos

Por fim, Rui Silva quis deixar ainda uma mensagem aos adeptos e sócios do Estrela, confessando-nos o seu desejo: voltar um dia às bancadas com o pensamento de dever cumprindo.

“Queremos concluir este mandato com os objetivos a que nos tínhamos proposto. Consolidar as modalidades que existem. Subir de divisão nos escalões em que é possível subir – iniciados, juvenis e juniores. Ambicionar a ter equipa sénior no futebol e crescer no ténis de mesa. Tudo de forma sustentada. Garantir este espaço também. Queremos que este clube seja das pessoas da Amadora. Que sejam sócias, que nos acarinhem, e que gostem do nosso projeto. Porque o clube é dos sócios. Um dia, quando sair de dirigente e voltar à bancada, quero, e queremos, deixar o clube em boas mãos e bem entregue. O próximo mandato logo se vê. O que não vamos fazer é abandonar o clube”, assegurou Rui Silva.

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