
Pedro Henriques: «Fui sempre eu próprio, fiel às minhas convicções, e nem sempre isso é bem visto...»
Um ainda jovem treinador que conhece o futsal há mais de duas décadas. Pedro Henriques conta com 42 primaveras, já trabalhou em Sporting e Benfica, já foi adjunto de nomes como Orlando Duarte, Alípio Matos ou Adil Amarante e já teve várias experiências como técnico principal. Atualmente no Vitória de Santarém - deixou o Fátima no final da época passada - Pedro Henriques foi entrevistado pelo zerozero sobre todo o seu percurso de 22 anos pelo futsal português e não só. Os elogios a quem com ele trabalhou são muitos, tantos como a vontade de voltar à ribalta em breve. «Estou preparado, tenho sempre a mala feita» zerozero: Conte-nos um pouco do que é o Pedro Henriques no que toca ao futsal. Pedro Henriques: Sou uma pessoa muito simples, completamente apaixonado pelo que faço, um privilegiado por estar ligado ao Futsal desde 1997. Tive a sorte logo de começar no Sporting, onde era treinador dos Guarda-redes dos seniores, juniores e juvenis, que na altura eram os únicos escalões que o Sporting tinha. Mas antes de 1997 já tinha iniciado a minha carreira de treinador no Juventude da Castanheira, clube da minha terra natal. Depois de estar duas épocas no Sporting, surgiu um convite da AD Carregado para ir treinar os juvenis do clube - e como fui sempre um treinador de projetos e que nunca liguei às cores clubísticas - preferi um bom projeto a um bom salário. Em 2002 entrei no Benfica com as mesmas funções que tinha no Sporting, onde fiquei até 2014, mas durante esse tempo treinava equipas da distrital de Lisboa como Vila Nova da Rainha, Cachoeiras, Cardosas, Arrudense ou Atibá. Nos anos 2000 fui dos primeiros treinadores a criar escolas de futsal no nosso país e a dinamizar os encontros de futsal dos mais jovens. Ainda cheguei a ser coordenador técnico das academias de futsal do Pedro Costa e do Gonçalo Alves. zerozero: Foi adjunto durante mais de uma década com nomes fortes do futsal nacional... O que aprendeu com os mais variados treinadores principais? Pedro Henriques: Tive um grande privilégio na minha carreira: ter grandes mestres como Orlando Duarte, Alipio Matos, Beto Aranha ou Adil Amarante. Cada um à sua maneira, aprendi muito com eles... Grato por tudo aquilo que fizeram por mim...Muito obrigado e ainda hoje sou amigo de todos eles!
zerozero: Orlando Duarte, Alípio Matos, Adil Amarante... Qual dos técnicos o marcou mais? Pedro Henriques: Todos eles me marcaram. Penso que, no geral, todos eles trouxeram mais rigor, mais profissionalismo, mais disciplina à modalidade. zerozero: Numa das suas últimas experiências como adjunto, no Nagoya, teve a oportunidade de trabalhar com Ricardinho, o melhor do mundo. O que recorda desse Ricardinho? Pedro Henriques: Mais uma vez agradecer ao meu amigo Adil Amarante pelo convite que me fez, para ir trabalhar com eles para o Japão. Estivemos um ano sem Ricardinho, mas com a chegada dele ao Japão tudo foi mais fácil. Onde ele está há mágia e lá não foi excepção. Estive no Japão durante dois anos, onde trabalhei muito e cresci muito como treinador. Treinava duas equipas e só acompanhava a equipa principal nos jogos em casa, mas conseguimos atingir todos os objetivos, tanto na equipa principal como nos sub-23. zerozero: Como avalia as suas experiências como técnico principal? Parece que faltou sempre algo para se afirmar... Pedro Henriques: A avaliação que faço do meu trajeto até aqui é muito positivo. Não vou esconder que algumas vezes as coisas não correram tão bem como eu desejei mas, por vezes, falamos do que vemos, mas não sabemos o que se passa nos bastidores e que influencia o que vemos. Sinto-me orgulhoso de ter lançado, formado e educado muitos jovens que atualmente jogam nos grandes palcos do futsal português e noutros. Nestes 23 anos que sou treinador, fui sempre eu próprio, fiel às minhas convicções, ideias e sempre lutando contra as injustiças, defendendo todos os clubes que representei, e nem sempre isso é bem visto... zerozero: Como olha para toda esta polémica relacionada com os títulos profissionais dos treinadores de futsal? Pedro Henriques: Sobre este assunto sou da opinião que a formação faz crescer a modalidade e os treinadores, por isso deve haver estas formações. Se os médicos fazem formações para andarem atualizados, nós treinadores também temos que as fazer, sejam pagas ou gratuitas! zerozero: Acredita que é a altura de voltar à ribalta do futsal nacional? Pedro Henriques: Quanto a isso não posso dizer muita coisa. Estou preparado, tenho sempre a mala feita, tenho a minha cédula de treinador (grau III) válida até 2022, o mundo dá muitas voltas...
Texto retirado do zerozero.pt