
Novasemente: habituadas às decisões e ao crescimento, com a recuperação do título na mira
*com Rita David Depois da desilusão no Europeu, o futsal feminino não pára e a fase final do Campeonato já está a todo o gás. Por isso, nas próximas semanas, o zerozero vai dar-lhe a conhecer, em maior detalhe, as equipas finalistas do Campeonato nacional de Futsal Feminino, através do A BOLA É DELAS. Ao longo das próximas semanas, continue connosco para ficar a conhecer as restantes equipas do Campeonato Nacional de Futsal Feminino. A primeira equipa que lhe apresentamos é a Novasemente que, depois de ter terminado em primeiro lugar na primeira fase, zona norte, assumiu o objetivo principal da época - a conquista do campeonato nacional.
Formada em 2006, os números da equipa de futsal feminino falam por si. Antes de chegar às competições nacionais em 2013/14, a equipa de Esmojães (Espinho) conquistou dois campeonatos distritais de Aveiro, uma Taça e uma Supertaça distrital. A estes, juntou-se o título de campeão nacional em 2014/15 e uma Supertaça na época seguinte. Atualmente com cerca de 70% do plantel internac o título é o principal objetivo. Assim, o zerozero, para conhecer melhor a Novasemente, falou com Manuel Marques, Presidente do clube, o técnico André Teixeira e a internacional portuguesa Pisko, sub-capitã de equipa. As expectativas para a fase final Campeãs nacionais em 2015 e habituadas a marcar presença nas decisões, o objetivo é claro para a equipa de André Teixeira: recuperar o título e ganhar a primeira Taça de Portugal da história do clube. E ninguém foge a essa missão... Objetivos (Pisko): «Desde o início da época que traçámos os nossos objetivos. Uns a curto, outros a longo prazo. No entanto, passam sempre pela conquista de todos as provas em que competimos. Terminámos a primeira fase no lugar que queríamos e, nesta fase de apuramento, queremos também terminar em primeiro, embora sabendo que o grau de dificuldade do mesmo será maior. Afinal de contas estamos a falar das 8 melhores equipas a nível nacional».
Títulos em todas as frentes (André Teixeira): «As expectativas são sempre focadas nos títulos. Tivemos uma primeira fase boa em que conseguimos ficar em primeiro lugar, mas esta segunda fase é fortíssima, logo teremos de trabalhar e prepararmo-nos muito bem para atingir os objetivos, que passam por ganhar o Campeonato e a Taça de Portugal» As dificuldades e a solução para o futsal feminino É certo e sabido que ainda falta muito caminho para o futsal feminino ter uma verdadeira expressão no panorama do desporto português. E isso é bem visível em equipas como a Novasemente, que tentam fazer das fraquezas forças para elevar o nome da sua equipa e da modalidade no país. A falta de apoios financeiros para ajudar a modalidade a crescer é uma preocupação bem vincada pelos três entrevistados do zerozero, sendo que muito falta fazer para o futsal feminino chegar a outros patamares. Com sugestões dos intervenientes à mistura... As principais dificuldades (Pisko): «O principal entrave passa pela falta de apoio e de patrocinadores. Quer para os clubes, quer para as próprias atletas. Somos todos amadores, não fazemos do futsal a nossa ocupação profissional, nem forma de sustento. É preciso apostar mais no futsal feminino e no seu desenvolvimento em escalões mais jovens. Só dessa forma surgem novos investidores e mais atletas»
Uma única primeira divisão (Manuel Marques): «É urgente aumentar a competitividade e a criação de série única na primeira divisão, com transmissões televisivas e naming na competição, iria sem dúvida elevar o nível das atletas e por consequência o da seleção nacional, pois todos vimos a diferença que temos para os nossos vizinhos de Espanha. Só assim chegaríamos a mais empresas a apostar no futsal feminino e a profissionalização aconteceria por inerência, embora saibamos que ainda estamos muito longe desse patamar a exemplo do que se passa com o masculino, que ainda não atingiu esse patamar» A sugestão de novo formato (André Teixeira): «O Futsal Feminino em Portugal evoluiu imenso [...]. Neste momento, penso que o mais urgente será reformular os quadros competitivos, ter um campeonato nacional com play-offs, à imagem do campeonato masculino. Penso que iria melhorar a competitividade, atraía patrocinadores e iria encher os pavilhões. A primeira fase do campeonato é desnivelada e temos somente três ou quatro jogos competitivos. Com um campeonato neste formato sairíamos todos a ganhar» O apoio «desmedido» da FPF Por último, o Presidente do clube chamou a atenção para a aposta «desmedida» da FPF no futebol feminino e deixou ainda observações à medida de incentivo à criação de novas equipas de futsal feminino, adotada pela FPF.
Segundo Manuel Marques a Federação apoiou, financeiramente, as equipas do campeonato nacional masculino (Liga SportZone) para que estas apostassem na criação de equipas femininas. Ação que, segundo o dirigente, não é mais do «financiar os orçamentos masculinos». O apoio «desmedido» da FPF: «O desporto feminino ainda tem rácios muito baixos de praticantes, e no futsal em particular estamos a pagar a fatura também pela aposta desmedida que a FPF fez no futebol feminino. A medida da Federação em apoiar as equipas da Liga SportZone financeiramente - para arrancarem com o futsal feminino - mais não é que os financiar na composição dos seus orçamentos masculinos, pois em termos práticos não temos visto nada de positivo na medida»
Texto retirado do zerozero.pt