Redes Sociais

twitter facebook

O sucesso do Viseu 2001 explicado por «um rapaz

O sucesso do Viseu 2001 explicado por «um rapaz

Mensagempor admin em 21 nov 2020, 01:44

https://www.zerozero.pt/wimg/n304187b/o-sucesso-do-viseu-2001-explicado-por-um-rapaz-com-muita-sor.jpg

O sucesso do Viseu 2001 explicado por «um rapaz com muita sorte»

*com Paula Ferreira Lobo Este ano está a ser atípico para tudo e todos, e a Liga Placard Futsal não é, obviamente, exceção. Pelo contrário! A edição 2020/2021 do principal escalão do futsal masculino nacional reveste-se de circunstâncias ainda mais especiais ao ter 16 equipas em competição. Os crónicos candidatos ao título – Sporting e Benfica – lideram a competição ao cabo de 9 jornadas (que poucas equipas já completaram), seguidos pelo Eléctrico, e pelo Viseu 2001. O conjunto da Beira Alta está a fazer um excelente arranque de campeonato, o melhor da história do clube que compete pela 3ª época consecutiva ao mais alto nível. Apesar das legítimas aspirações dos viseenses a assegurar um lugar nos play-off de apuramento de campeão, a verdade é que os resultados destas primeiras nove jornadas surpreendem pela positiva, não só pelos pontos amealhados, mas também pelo futsal praticado pela equipa orientada por Paulo Fernandes. Qual é o segredo do conjunto de Viseu? O zerozero esteve à conversa com aquele que é, desde há uns anos a esta parte, pedra basilar na equipa, e que é, provavelmente, o jogador que mais minutos joga na Liga Placard desde que o Viseu se juntou aos nomes grandes do futsal. Pedro Peixoto, sempre bem-disposto, falou-nos de muito trabalho, da união de grupo, analisou estratégias ao detalhe, e não escondeu as ambições pessoais de chegar à seleção nacional.

ZEROZERO: Este é o melhor arranque de sempre do Viseu no campeonato nacional. Qual é o segredo? Pedro Peixoto: O segredo é o trabalho que temos vindo a fazer desde as épocas anteriores. Já estamos cá há três épocas, e na primeira sabíamos que ia ser complicado, porque é um processo de adaptação também da equipa à primeira divisão. O objetivo desse ano era conseguirmos manter-nos, e conseguimos. Na época a seguir o objetivo era manter, mas tentar fazer melhor. E este ano os objetivos são completamente diferentes: o objetivo traçado pela direção, e por nós mesmos, é chegar aos play-off. ZZ: Surpreende-vos a forma como estão a correr estas 9 jornadas? PP: Eu acho que acaba sempre por ser uma surpresa, tendo em conta as equipas fortes que há na Liga Placard. Tirando Benfica e Sporting, que estão sempre lá em cima, há outras equipas muito fortes. O Quinta dos Lombos é forte, o Leões de Porto Salvo é forte, o Braga é forte, entre outras… Acho que este ano é a época mais competitiva de todas! Mesmo o Caxinas e o Dínamo Sanjoanense, que subiram este ano, têm muito boa equipa. Não vai ser nada fácil ganhar-lhes, e acho que é mesmo o campeonato mais forte que me lembro. ZZ: Perante estes resultados, o objetivo mais imediato é claramente a Taça da Liga… PP: Sim, acho que esse tem que ser um objetivo claro. Temos duas derrotas [com Benfica e Sporting], dois empates [Futsal Azeméis e Candoso], e cinco vitórias [Eléctrico, Burinhosa, Belenenses, Portimonense e Caxinas], e já jogamos com as equipas teoricamente mais difíceis [Sporting e Benfica]. Agora o resto são equipas do nosso campeonato, e vamos tentar ir sempre a jogo para ganhar, ir jogo a jogo, e tentar chegar à Taça da Liga. ZZ: Nota-se que, esta época, o Viseu tem uma equipa mais equilibrada. Talvez não marquem tantos golos, mas equipa defende muito melhor, principalmente o 5x4+GR. Os reforços vieram acrescentar qualidade ao plantel? PP: Sem dúvida. Isso está mais que visto! Nós o ano passado fomos uma equipa que marcou muitos golos, mas também sofríamos muitos, e este ano é completamente o contrário: marcamos poucos e sofremos muito poucos. Acho que a equipa tem melhorado bastante nisso. A união de grupo também ajuda. Se um falha, o outro vai lá para o ajudar, e isso tem feito a diferença este ano. Acho que é o ponto chave, a entreajuda entre jogadores é soberba. Acho que esse é mesmo o segredo. ZZ: Um balneário muito unido faz a diferença? PP: Faz completamente a diferença. Não é que nos outros anos o balneário não fosse bom, mas nesse aspeto este ano está melhor. O facto de muitos atletas viverem todos juntos ajuda ao entrosamento da equipa. «As coisas estão a dar, vão saindo, ganhamos uma confiança extra, e assim torna-se muito mais fácil» ZZ: Tu és de Braga, e fizeste a tua formação no Braga. Mas somando as duas passagens pelo Viseu 2001 já são vários anos na cidade. Já te sentes “de Viseu”? PP: Já, já me sinto da cidade. Embora não me esqueça das minhas raízes, já me sinto aqui da cidade. Já tenho cá tudo, já vivo com a minha namorada, já temos construído a nossa vida, e acho que já posso dizer que faço parte da casa.

ZZ: Uma casa que é no interior do país. É uma dificuldade acrescida, estar numa equipa do interior? PP: Não digo que seja uma dificuldade acrescida… Isto também depende do momento das equipas. Eu quando estava no Aves nós jogávamos bem, só que as coisas não saíam, e afundávamo-nos mais. Tentávamos, tentávamos, só que as coisas não davam. Aqui é diferente, as coisas estão a dar, vão saindo, ganhamos uma confiança extra, e assim torna-se muito mais fácil. Mesmo que as equipas tenham qualidade, nem sempre é fácil gerir estes pontos. Porque a bola bate no poste, ou bate nos dois postes e não entra, e se for a equipa adversária se calhar bate no poste e entra… são estas pequenas coisas que às vezes fazem a diferença. ZZ: No início da tua carreira tu jogavas mais encostado à ala, mas é como fixo que pareces estar ‘como um peixe na água’… PP: Sim, agora sim. [risos] Esse trabalho que tenho feito deve-se muito ao Paulo Tavares, quando eu estava no Braga. Foi ele que me ensinou a defender da maneira que eu defendo agora, porque eu ia muitas vezes primeiro à bola, e o trabalho dele ajudou-me muito nesse aspeto. ZZ: Pois, porque tu, apesar de teres ‘só’ 28 anos, já tiveste a oportunidade de trabalhar com treinadores muito experientes. PP: Eu acho que nesse aspeto sou um rapaz com muita sorte! Na altura que estive no Braga, nas primeiras épocas, o treinador era o Pedro Palas [atualmente na equipa técnica da Seleção Nacional, com Jorge Braz]. Depois veio o Paulo Tavares [em 2012/2013]. Quando me mudei para o Gualtar foi o mister Vasconcelos, que também já trazia muita bagagem. Quando vim para cá [na primeira passagem] foi o Sapata, que embora não tivesse muita bagagem era um excelente treinador. E depois apanhei o Paulo Fernandes, que tem o historial que tem. Quando fui para o Aves trabalhei com o mister Hugo, que é muito muito muito [a repetição é mesmo de Peixoto] bom treinador, gosto muito dele. Foi pouco o tempo que estive lá, mas deu para aprender muita coisa com ele. ZZ: Tu és provavelmente o jogador que mais minutos joga no nosso campeonato. Um dos que mais joga és de certeza! Como é que se recupera de jogos em que se faz 38, 39, e até 40 minutos? PP: Ah… [risos] é trabalho. Eu aguento bem, graças a Deus, sempre que puder ajudar a equipa, ajudo. Às vezes não posso subir tanto, para me resguardar um bocado, para depois tentar defender, mas o processo é mesmo esse. Nos treinos é igual, a intensidade é a mesma, ando sempre a velocidade máxima, e isso ajuda. E treinar duas vezes por dia também faz muita diferença. Eu no Aves, por exemplo, só treinava uma vez por dia, e sentia a diferença, sabia que não estava num bom momento. E agora como treino duas vezes por dia sinto completamente a diferença nisso. ZZ: Além de jogares muitos minutos, jogas muitos minutos a defender pivôs, normalmente mais altos e entroncados que tu. Como é que isto se trabalha? PP: Durante a semana nós muitas vezes fazemos só trabalho específico, dependendo das equipas que vamos apanhando. Por exemplo, para o jogo contra o Sporting [da passada quarta-feira] já ficou estipulado, logo no início da semana, que o Othanha defendia o Cardinal, e eu defendia o Rocha, e fomos trabalhando durante a semana. As coisas foram correndo bem, até aguentarmos, só que basta uma falha e eles não deixam escapar. Mas acho que nos portamos muito bem nesse aspeto.

Época atípica: «Temos que lidar bem, nós só trabalhamos mesmo para isto» ZZ: Esta época está a ser mais exigente que anteriores, por causa do calendário mais apertado, e com menos tempo de descanso entre algumas jornadas. Como se lida com este calendário? PP: Temos que lidar bem, nós só trabalhamos mesmo para isto. Hoje [quinta, após o jogo com o Sporting] por acaso íamos ter treino, só que o mister decidiu dar uma folga. Mas amanhã já vamos começar a trabalhar ao máximo para o jogo de domingo, para fazermos o nosso melhor. Se bem me recordo, hoje foi mesmo a primeira folga [desta época]. ZZ: Já várias equipas da Liga Placard tiveram casos positivos de Covid-19, mas o Viseu não foi uma delas. Estão a ter cuidados especiais? PP: Nós temos muito controlo no Pavilhão. Temos sítio para desinfetar as mãos, à entrada medimos sempre a temperatura, usamos sempre a máscara quando entramos no balneário, e depois quando saímos para ir para a quadra. Depois, quando acaba o treino, voltamos a colocar a máscara e a desinfetar as mãos, e temos tido esses cuidados. Não estamos livres, pode acontecer, mas até agora felizmente tem corrido bem, e isso é o mais importante. ZZ: Tem corrido bem, até no sentido de conseguir ter o calendário acertado, o que a maioria das equipas não tem. Acreditas que isso vai fazer a diferença mais adiante? PP: Vai, sem dúvida alguma. Imagina, agora os Lombos vão ficar praticamente parados, sem treinar, sem fazer nada, não podem sair de casa, isso mais para a frente vai sem dúvida alguma fazer a diferença, porque já vão perder o ritmo dos treinos e o ritmo de jogo. ZZ: Terem a possibilidade de serem profissionais, de se dedicarem em exclusivo à modalidade – o que nem todas as equipas conseguem -, é um ‘pormenor’ que também faz a diferença? Tu podes falar com propriedade, pois já passaste pelas duas situações. PP: Sim, quando estava na escola, e no primeiro ano do Viseu trabalhava também. Acho que ainda faz alguma diferença, mas também depende dos trabalhos. Há trabalhos que são pesados, e claro que, nesses casos, a condição física depois não vai ser a mesma. ZZ: Estes detalhes vão fazer a diferença? PP: Sem dúvida alguma! Por exemplo, tanto o Caxinas como o Dínamo, e estou a falar nestes dois porque também foram os que subiram agora e não têm assim uma bagagem tão grande, para eles é mais complicado. Mas são equipas com muita qualidade, e tal como nós passamos dificuldades com eles, muita gente vai passar. Ainda no outro dia o Caxinas perdia por 3x1 e conseguiu levar o jogo para 3x3.

ZZ: A filosofia é ‘quando não vai na qualidade, vai na raça’? PP: É, vai na raça, e isso também faz a diferença. Assim que me recordo o jogo piorzinho que fizemos foi contra a Burinhosa, na segunda parte. Eles entraram na segunda parte confiantes que o resultado ainda podia dar, e nós, desumildes - acho que é a palavra certa - deixamos o jogo rolar. Se calhar se houvesse mais 5/10 minutos acabávamos por empatar ou por perder mesmo o jogo, porque eles vieram com a crença toda, e foi certo da parte deles, errado da nossa parte, que deixamos o jogo partir. Nós até entramos na segunda parte a marcar logo de início, mas depois perdemo-nos completamente no jogo. «Não vou negar que acho que já podia ter sido chamado» à Seleção Nacional ZZ: O Rafa Stocker, na entrevista que deu ao Canal 11 no início desta semana, falava, como tu, de um balneário unido, e que isso era a chave para também conseguir conquistar objetivos individuais. É assim? PP: Nós por acaso, desde que cá estou no Viseu, acho que sempre tivemos sorte nesse aspeto. Já tivemos cá o Galvão, que fazia imensos golos, o Júnior o ano passado era uma coisa maluca, fazia golos a torto e a direito, e este ano ao Rafa [Stocker] também está a correr bem, e só desejo que continue a correr. Claro que primeiro pensamos na equipa, isso está estipulado no grupo, mas quando as coisas vão correndo bem coletivamente os objetivos individuais vão se cumprindo aos poucos. ZZ: E quais são os objetivos individuais do Pedro Peixoto? PP: Tentar chegar a uma equipa grande e à Seleção Nacional. São os meus maiores objetivos. É continuar a trabalhar como tenho vindo a fazer. ZZ: E não tinhas lugar nesta seleção nacional? PP: Na minha posição [fixo] há gente com muita qualidade. Por exemplo o André Coelho, o Nilson… mas claro que não vou negar que acho que já podia ter sido chamado. Acho que já fiz bons campeonatos, houve uma altura em que pensei que fosse ser chamado, porque me sentia mesmo bem, mas também não fiquei triste por não ser chamado porque acho que a seleção tem bastante qualidade com os que lá foram. É continuar a trabalhar como sempre faço, e as coisas a seu tempo chegarão. Se não chegarem também não vou ficar triste. ZZ: O Jorge Braz de vez em quando vem observar jogos do Viseu. A presença dele na bancada intimida? PP: Sinceramente, às coisas da bancada não ligo nada. Os meus pais e a minha namorada vão ver os jogos e nem ligo. Não vejo quem está na bancada. Faço o jogo que tenho que fazer. Vou ser sempre o mesmo, tentar sempre fazer o melhor. Ausência dos adeptos «tira o brilho à modalidade» ZZ: A época passada não chegou a terminar, por causa da pandemia. Como é que foi receber esta notícia? PP: Foi o ‘ai a nossa vida!’. Eu falo por nós, que estamos cá no Viseu, e que fazemos disto vida. Para nós foi muito difícil de gerir, até porque nós estávamos com o objetivo traçado de tentar ir aos play-off.

ZZ: Há quem defenda que talvez o campeonato não devesse estar a decorrer. Já percebi que tens uma opinião contrária. PP: Completamente! Não faz sentido nenhum isto parar. É cumprir com as regras da DGS. Tirando esta notícia de 11 jogadores infetados [no Quinta dos Lombos], não houve mais nenhum caso com um número tão grande. Já tivemos algumas equipas com casos, mas nada desta dimensão. Acho que temos que seguir as regras, e adaptar a nossa vida. Eu sou adepto de ir para o café, por exemplo, e deixei completamente de ir. Por causa disto, porque vou ser pai, e não posso estar a arriscar. É por mim, por ela [Filipa, a namorada] e pelos colegas de equipa. ZZ: A pandemia impos várias regras, incluindo a ausência de público nas bancadas. Isto é mau, ou às vezes até é melhor que não esteja lá ninguém? PP: Eu acho que acaba por ser pior. Acho que tira o brilho à modalidade, porque os adeptos fazem falta. Não só a nós, acho que é a todas as equipas. Como se costuma dizer, são o sexto elemento, e em muitos jogos podem fazer a diferença sem dúvida alguma. ZZ: Estes constrangimentos impuseram vários desafios aos clubes, que estão a fazer um grande esforço para que os adeptos não desliguem da modalidade, investindo na transmissão dos jogos. Consideras isto importante? PP: Acho que é muito importante dar esse acesso aos adeptos. Aqueles que seguem sempre o Viseu e as outras equipas, acho mesmo muito importante!

Texto retirado do zerozero.pt
Avatar do Utilizador
admin
Administrador
Administrador
 
Mensagens: 290394
Registado: 21 set 2011, 22:13

{ SO_SELECT }

{ SHARE_ON_FACEBOOK } Facebook { SHARE_ON_TWITTER } Twitter { SHARE_ON_ORKUT } Orkut { SHARE_ON_MYSPACE } MySpace

Voltar para Futsal

Quem está ligado:

Utilizador a ver este Fórum: Nenhum utilizador registado e 1 visitante