
Mário Gomes: Diferendo entre federação e clubes, vagas para estrangeiros e medidas para o futuro
Poucas semanas após o fim da segunda fase de pré-qualificação para o EuroBasket 2021, a estrutura da Federação Portuguesa de Basquetebol vai já trabalhando no próximo ciclo competitivo (terceira fase de pré-qualificação), que se irá realizar entre os dias 3 e 21 de agosto. Em entrevista ao jornal Record, o selecionador nacional Mário Gomes abordou vários temas da atualidade, não fugindo dos recentes diferendos entre os clubes e a federação, que afetaram a última convocatória para o duelo frente à Islândia. Vaga de lesões e diferendo entre federação e clubes: «Não podemos encarar como normal. Uma situação em que 12 jogadores que a equipa técnica tem na ideia, nove não jogaram. Não é aceitável a Federação receber emails de clubes com um raciocínio que não podemos aceitar, ao dizerem que têm jogadores com problemas físicos e que aproveitam este período sem jogos para proceder à sua recuperação. Este não é um período sem jogos, a atividade da seleção está calendarizada. Se não houvesse seleção o campeonato não tinha parado. Alguns jogadores que sabíamos não estarem em condições pararam na seleção e não o fizeram nos clubes. Esta situação tem de ser definitivamente clarificada pela Federação e os clubes.» Aumento de vagas para jogadores estrangeiros na próxima temporada: «Esta medida, se for isolada e não for acompanhada de outras, não vai trazer benefício nenhum ao basquetebol português. A única coisa que vai trazer é prejuízo à seleção nacional, porque os jogadores portugueses vão perder espaço e influência nas equipas. Mas esta medida, se for acompanhada por outras, até pode ser útil.» Medidas para melhorias no basquetebol português: «A profissionalização a sério dos nossos jogadores e treinadores. Qualquer clube que tem cinco profissionais ao seu serviço tem de se assumir com uma organização profissional. E posso apontar medidas concretas: cinco estrangeiros e no mínimo quatro portugueses com contrato profissional sénior; treinador principal com contrato profissional a tempo inteiro; um treinador responsável pelo sector de formação, com contrato profissional; possibilidade de a federação gerir o calendário com jogos durante a semana e não ser obrigatório jogar só ao sábado e ao domingo, com a justificação que não somos profissionais e ter, agora, cinco estrangeiros profissionais.» Situação de Betinho e recente encontro com jovens portugueses em Universidades Norte-Americanas: «O Betinho tem 34 anos, joga a um nível alto na Europa, mas tem uma história clínica muito complicada, nomeadamente nos joelhos. Está, na minha opinião, a chegar ao momento da carreira em que terá de perceber se continua a ter condições para poder jogar ao nível que quer manter no clube e continuar a representar a seleção (...) Aquilo que quisemos fazer foi, dentro do tempo disponível, conhecer pessoalmente os locais onde estão o Neemias Queta, Diogo Brito, Laura Ferreira, Beatriz Jordão e Chélsea Guimarães. Conhecer os treinadores, como estão enquadrados na comunidade e na escola e preparar terreno para os ter disponíveis para as seleções nacionais. Foi uma viagem bastante proveitosa.»
Texto retirado do zerozero.pt