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Covid-19: O relato emocionado do diretor desportivo da Honda

Covid-19: O relato emocionado do diretor desportivo da Honda

Mensagempor admin em 24 mar 2020, 03:48

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Covid-19: O relato emocionado do diretor desportivo da Honda: "O meu pai precisava de um ventilador para não morrer e não lho deram"


O doloroso relato de Óscar Haro no momento em que teve que se despedir do pai que foi mais uma das vítimas do coronavírus.

Óscar Haro, diretor desportivo da equipa LCR Honda (MotoGP) contou nas redes sociais a tragédia que se abateu na sua vida. O pai é uma vítimas mortais do coronavírus e faleceu devido à falta de ventiladores em Espanha.

Veja o relato emocionado de Haro
"Ninguém deveria morrer sozinho. O meu pai começou a trabalhar com 14 anos e fe-lo até aos 65 e nunca pediu nada a ninguém. Ele precisava de um ventilador para não morrer e não lho deram. O médico chamou-me em lágrimas a pedir-me permissão para o deixar morrer. Esta é a Espanha que temos", relatou.

Haro também partilhou um vídeo em que se mostra indignado com a situação em Espanha.

Veja o vídeo

"Creio que 80% deste país não sabe como está a situação. Não entendo como país tão grandes como a China ou a Itália têm as fronteiras encerradas e continuam a morrer pessoas", disse lançando ainda uma mensagem de esperança.

"É o momento de lutar e colocar este país à tona de água."


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«PEDIRAM-ME PERMISSÃO PARA DEIXAR MORRER O MEU PAI»

Mensagempor admin em 24 mar 2020, 17:23

https://www.abola.pt//img/fotos/ABOLA2015/FOTOSDR/2020/droscarharo1.jpg

O espanhol Oscar Haro, responsável da formação satélite da Honda no Mundial de MotoGP, onde alinham os pilotos Takaaki Nakagami e Cal Crutchlow, revelou que os médicos lhe pediram, em lágrimas, permissão para deixar morrer o pai. Por falta de ventiladores.



O diretor desportivo da LCR Honda usou as redes sociais para revelar agora, três dias depois, a forma trágica como o seu pai morreu, vítima de Covid-19, e deixar um alerta ao país vizinho.



«Ninguém devia morrer sozinho. O meu pai começou a trabalhar aos 15 e só parou aos 65. Nunca pediu nada. Na quarta-feira, ele precisava de um ventilador para não morrer e eles negaram-no. O médico chamou-me, em lágrimas, para me pedir permissão para o deixar morrer. Esta é a Espanha que temos. Estamos a deixar morrer estas pessoas. A minha mãe está fechada em casa, sem que possa abraçá-la, beijá-la, consolá-la. Também acusou positivo e não quer ir ao hospital, porque tem medo que a deixem morrer», contou Haro, que decidiu partilhar a sua história em vídeo.



«Na segunda-feira, o meu pai e a minha mãe deram positivo ao coronavírus. Levei-os às urgências. Não voltei a ver o meu pai. A minha mãe pediu para receber alta porque queria cuidar do meu pai. Isolaram-no até morrer, na sexta-feira. Não entendo por que razão morreu. Não entendo como uma pessoa que trabalha desde os 15 anos, sempre a descontar para pagar impostos, morre porque não há ventiladores, porque não o podem continuar a tratar, pois há uma lei que diz que com mais de 75 anos já não interessa cuidar das pessoas e deixam-nas morrer.»



Sem conseguir esconder a sua revolta, o espanhol não se coíbe nas críticas e no alerta: «Dizem que temos um serviço de saúde incrível, mas não têm luvas, batas ou máscaras para usar. Não entendo como o meu pai, que está desde os 15 anos com a sua mulher, não se pôde despedir dela. Só sei que vejo dinheiro por todos os lados, como sempre, e que estamos a deixar morrer uma geração que fez este país sair da guerra, que trabalhava 16 horas por dia para alimentar os seus filhos e criar uma família. Famílias com quatro ou cinco filhos, como a minha que vivia num apartamento com 60 m2 e uma casa de banho, mas onde nunca faltou amor. Não como agora, que temos um ou dois filhos porque somos egoístas. Vejo o meu pai morto, a minha mãe fechada em casa e não posso pegar na minha filha porque tenho medo, pois ela só tem três semanas. Não entendo por que o meu pai não vai poder levar a neta a ver a sua horta. Dei a volta ao Mundo umas cem vezes, vivi em muitos países e garanto que temos o melhor país do Mundo. Mas vamos cuidar dele, por favor.»



O Mundial de MotoGP, onde participa o português Miguel Oliveira, deveria ter começado no início do mês, no Catar, mas foi adiado devido ao coronavírus, bem como várias etapas que se seguiriam. Esta semana, o diretor-geral do circuito britânico de Silverstone, Stuart Pringle, assumiu que era demasiado cedo para falar da corrida que está agendada para julho, pois ninguém consegue prever a evolução da pandemia.

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